Disse o profeta:

Por essa luz que me alumia, busquei um sentido pra tudo isso.
Pra essa busca incansável, essa tentativa interminável e insana de, finalmente, encontrar um porquê razoável, e finalmente, definitivamente, depor as armas e descansar.
Somente aproveitar a luz suave da tarde iluminada do inverno.

Mas nem isso, quase nunca, fez sentido. A não ser por alguns breves minutos. Algumas leituras claras como o sol num dia frio, acompanhadas de um gole doce de café. Mas nada mais. Breve demais.

Tudo o mais tem sido confusão e alarido.
O discurso eterno se contradizendo: tese, antítese e síntese.
Só para gerar mais uma camada de ilusão e confusão, dentro e fora da grande cabeça, que nunca repousa, nunca dorme e nunca tem um equilíbrio: razoável, desejado e necessário.

Segue nesse sentido mais uma utopia: a de mergulhar um dia no todo oceânico, qual gota sem nome ou destino, para, aí sim, experimentar o silêncio iluminado, tal como o prometido em algumas filosofias dessa e de outras terras distantes e antigas.

Floripa 15/8/14
Disse o profeta:

GALHOS COLORIDOS

"estranho seria se eu não me apaixonasse por você". Nando Reis

assim, centenária, com teus braços e pés a refrescar os passantes, pedintes e turistas. incautos ou conscientes, escolhem dar três voltas a tua volta, no sentido anti-horário, selando um pacto muito antigo, feito pelos pescadores, bruxas e desterrados de toda espécie, de: morar, casar, ou simplesmente voltar a essa ilha de sol e mar.
pela noite, iluminada por luzes esverdeadas, pareces uma jovem a receber jovens e loucos de todos os gêneros.
generosa é o que tu és. e fica aqui este breve cântico que deposito a teus pés.
Disse o profeta:

O anjo da noite pousa, desconfiado, em meus ombros cansados. Recolhidas, as asas negras assumem um certo brilho, que só se pode perceber quando a lua está deitada na amplidão. Nessas noites, os marinheiros ficam na espreita, aguardando os solavancos do mar agitado.

Caminho pela cidade. Faço, como dizem os parceiros que cuidam dos carros na porta da zona, minha ronda. Não sei bem quando adquiri esse hábito pouco usual de fazer meu exercício diário nesse horário.. Sei que me sinto bem. Sem medo, mas atento. O anjo sussurra em meu ouvido, que ruas devo percorrer. Como costumo confiar em velhos amigo, faço-o sem titubear.

Tudo vai bem. As prostitutas e os travestis estão nos lugares de sempre. Percebo que mesmo nas madrugadas mais frias, usam roupas mínimas. Ossos do ofício. Estão em busca do pão, como todos nós.

Os moradores de rua me recebem com um sorriso e uma palavra amiga. Fumamos juntos o último cigarro. Pedem que eu permaneça um pouco mais. Hoje não. Hoje estou inquieto, desacorçoado. Como se calçasse um sapato apertado, em dia de baile de gala, no velho clube social decadente, logo ali ao lado.

Passo em frente ao único boteco aberto no centro da cidade a essa hora. Revejo alguns amigos. Todos focados nos seus interesses. A noite guarda  sempre os seus segredos. Não pra mim e pro meu anjo amigo. Já faz tempo que desistimos de querer descobrir aonde está o bem e o mal. Não julgamos e por isso, quase todos nos aceitam tranquilos.

Na verdade descubro, quase surpreso, andava em busca, mais uma vez, da mentirosa mulher que tanto amei. Em sua viatura preta com o adesivo do dragão branco atrás. Não, ela não estava em lugar nenhum. Meu coração, já apertado, parece ficar ainda menorzinho.

Está na hora de regressar. Quando atravesso o portão, já em casa, o anjo estica suas asas e alça voo silenciosamente. Agradeço sua presença benfazeja. Entro no cafofo e ponho-me a fazer estas breves anotações.

Diário de bordo 00712/infinito. Indo a lugares aonde nenhuma criatura de bom senso iria. Mas quem disse que a vida é feita somente de temperança e paz?



Disse o profeta: meu jesus cristinho de praga, não me deixa ir embora desse mundo sem beijar esses seios miraculosos...
Disse o profeta:

Vai explicar pra esse povo que não precisa pagar dízimo, que não adianta rezar, que deus não interfere no movimento perfeito do universo. Aí como justificar a exploração, as guerras, a tortura, a chantagem que se faz em nome do tal senhor. Que não precisamos de intermediários, que basta contemplar a dança e gozar do prazer de fazer parte do todo.

ateísmo

Disse o profeta:

o ateísmo só faz sentido se não tiver uma rigidez de idéias, senão vira um outro tipo de religião. assim como um partido anarquista é uma contradição em si. eu como gosto de sair no bloco do eu sozinho no carnaval, me sinto muito bem nas duas situações. bom dia, dia.
Disse o profeta:

Assisti hoje um filmezinho chamado "maluco beleza", título original "our idiot brother" http://www.cineclick.com.br/filmes/ficha/nomefilme/our-idiot-brother/id/17659.
Nada de excepcional, mas foi me dando vontade de encontrar pessoas interessantes, que comunguem de valores semelhantes aos meus e foi me dando uma sensação que isso tá ficando raro... talvez a morte do mosquito, os bons tempos do bar havana que ele tocava fumando charuto cubano. Daí, mais tarde, lendo um trecho do livro do Bukowski "pedaços de um caderno manchado de vinho", parece que me acalentou um pouco o coração: Quando você vir o edifício da prefeitura no centro da cidade e todas aquelas pessoas finas e bem vestidas, não fique melancólico. Existe uma verdadeira multidão, uma raça completa de pessoas malucas, famintas, bêbadas, excêntricas e incríveis. Já vi muitas delas. Sou uma delas. Haverá mais. Esta cidade ainda não foi tomada. A morte antes da morte é uma coisa doentia. Os estranhos seguirão firmes, a guerra não terminou." Um abraço pra ti Mosquito, alma de poeta, mãos de revolucionári
o.
Disse o profeta:

1) todo mundo tem que meter a mão no lodo uma vez na vida. a altura que o lodo vai subir no braço
se chama limite ético.
2) se o diabo fosse feio, o inferno estava vazio. todo poder é sedutor e quanto maior o poder, mais sedutor será.
3) todo homem teu seu preço. eu quero ter uma crise ético-existencial: pelado, no deck do meu barco de mil pés,
tomando sol no caribe, na frente da minha ilha, aonde todos os meus amigos e amigas
estarão curtindo suas férias e sem data pra terminar.
4) mulher é bicho do inferno. não é a toa que o diabo tem chifre. ou... chifre é igual ao volkswagen, um dia
você ainda vai ter um.
5) no final da vida, gostaria de convidar todas as mulheres que amei, seus maridos, filhos e demais,
para um encontro num castelo. momento maior do dia, será um banquete numa mesa gigante,
aonde eu estarei sentado na cabeceira, tomando um bom vinho e rindo calado.
6) por favor, não sinta ciúma da minha poesia. ali eu preciso da liberdade de amar quem eu quiser, sofrer
como quiser e me expressar quando quiser. pense nisso como o remédio que me mantém vivo.

sobre amores impossíveis e outras mentiras inventadas

Disse o profeta:

tudo bem que ela não me deixa sair muito do eixo. eu sei que exijo demais dela. mas nem todo o tempo precisamos ultrapassar a linha da possibilidade e cair na dura e, sempre tensa, realidade. com isso quero dizer, que estamos nós, os filhos e netos da revolução sexual,  retomando sinceramente o desejo e a arte da paquera. a valorização do olhar. do suave roçar de braços quase desapercebido, mas que arrepia. isso num tempo em que tudo é permitido, tudo é massificado, tudo ficou tão óbvio que nem gosto mais tem...
então ficamos eu e ela a nos olhar nus um dia inteiro... mal nos tocamos, mas muito nos amamos. amigos, amores, amantes... eu e a rainha do deserto.
Disse o profeta:

Eu daqui vivo esse sonho estranho. Esse gosto tão novo de liberdade misturada com felicidade. E me alimento desse ar como quem bebe o vinho mais sagrado do mundo. E posso compartilhar contigo meus segredos mais meus, que são agora parte de leveza de ter na vida, uma cúmplice... não, uma aliada... não, uma testemunha... não, o meu amor, a asa que me faltava pra voar pela vida... sem medo de cair, porque existe uma sagrada comunhão celebrada pelos passarinhos em cada amanhecer...
Disse o profeta:

Ela me cutuca com essa porra do senso estetico. Numa segunda leitura, me cobra coerencia com a arte. Com a vida crua de ser artista. E ainda a porra da poesia. Diz que nao gosta de gente que faz pose de poeta, se veste como poeta, sei lah o que isso significa.

Nao tem pudor nenhum. Nenhumzinho, nada. Cutuca mesmo. Tem vezes que me doi como se fosse um tabefe estralado na cara. Ultimamente ela anda reclamando demais das rimas. Mas porra, eu nao sei explicar essa coisa que vem e vai. Da forma. Sei que tem epocas que elas aparecem.

O carai de muleh braba. Essa nao tem jeito. Essa eu amo.
Disse o profeta:

Tava aqui sendo atendido por uma mulher, num serviço de atendimento ao cliente e consegui manter um contato pessoal com ela. Sem grandes intimidades, mas um furo no buraco do sistema que a todos nos padroniza e coisifica. Lembrei da luta que era tentar trepar com uma puta por amor. Ou mesmo pagando, roubar-lhe um beijo na boca. Tudibom
Disse o profeta:

Chega teu ouvidinho bem perto da minha boca. Tá me ouvindo? Eu não quero ser teu amiguinho. Não quero saber das tuas aventuras. Eu quero teu corpo. Esse que tu contas que alguns tem acesso. Quero do meu jeito. Quero prazer. E não faz mal que eu possa te parecer: egoísta, babaca ou machista. Pode ser que eu esteja nesse lugar agora por causa desse momento que estou vivendo. De estar carente e só. De estar com tesão e não ter nenhuma parceira. Vou ficar longe. Não espero que me entendas. Se quiser minha atenção, libera logo esse corpinho que parece ser de ouro (mas não é). Deves me achar tolo, simplório, iludido. Devo ser. Mas pelo menos a minha atenção eu posso escolher quem vai ter.
Disse o profeta:

vida na lata do lixo. 30 anos gordo. 10 louco.

sílvia pfeifer

Disse o profeta:

Tem um povo aí pela internet que investe num nível tão violento no visual, que parece artificial. A primeira vez que eu ouvi falar desse tipo de, digamos, postura de vida, foi com o Fausto Fawcett, aquele da Kátia Flávia. Em  87 ele já escrevia em sua música Sílvia Pfeiffer:


Silvia Pfeiffer

Copacabana

Foi transformada num super gueto de capitalismo exacerbado.
Um território, paralelo à Sarney e à Teófilo Moreira,
Um vácuo financeiro e industrial dominado por gigantescas empresas transnacionais,
Gigantescas empresas armamentistas brasileiras.

Copacabana está repleta de telões, passando gigantescas imagens de tudo.
Os habitantes do super gueto capitalista, no meio da vertigem audiovisual,
Costumam concentrar seu olhar no maior telão do mundo,
Onde passam ininterruptas imagens da mais bela e sofisticada das manequins, a manequim número um:

Silvia Pfeiffer.

E o que sentem os habitantes de um super-gueto capitalista?
De tanto ver o mundo ser transformado em imagem,
De tanto ver a vida ser transformada em show de realidade patrocinada,
Eles já não sabem o que é, e o que não é real.
Não sabem se os seus sentimentos são seus mesmos
Ou se são ficção de personalidade.

Bombardeados pelo delírio das ficções comerciais e não comerciais,
Eles vivem envolvidos com mundos que só existem no desejo.

Para eles, o invisível já é uma coisa muito vulgar, o transcendental já é algo tão banal,
Devido às excessivas fotos, vídeos, filmes,
Sobre a anti-matéria, sobre os espectros microscópicos,
Devido às excessivas imagens divulgadoras do invisível.

E quando o invisível já é uma coisa muito vulgar, quando o transcendental já é algo tão banal,
Que emoção espiritual resta para os habitantes de um super gueto capitalista,
Cujos olhos estão magnetizados pela excessiva presença de gigantescos televisores?
A ultima emoção espiritual, é a fascinação.

Fascinação por imagens cada vez mais artificiais,
Imagens que os façam pensar em mundos não humanos, em universos paralelos.
E quem são as heroínas dessa fascinação espiritual?

As manequins das revistas de moda mais sofisticadas.
Incorpóreas ladies, garotas de fisionomia etérea, mestras da sedução calculada.
No meio da vertigem audio-visual, os habitantes de um super gueto capitalista
Costumam concentrar seu olhar no rosto da mais bela e sofisticada das manequins:

A manequim número um.

Mundos não humanos,
Universos paralelos,
Fascinação espiritual,
Mundos que só existem no desejo.


Sílvia
Pfeiffer 


Prá lá de me bater com esses novos conceitos, vou, isto sim, tentando me habituar com esse novo mundo que bate à porta e em outros momentos, simplesmente arromba. Afinal, o novo sempre vem.


Clip da música de Fausto Fawcett e os robôs efêmeros.



Claro que tudo isso passa sempre pela genialidade do Blade Runner e suas consequências no inconsciente coletivo.
Disse o profeta:

daniel boca de leão não gosta de dormir

daniel gosta de escrever e fazer filme

mora em minas e detesta coisas óbvias demais

se bem que uma borboleta de vez em quando tem seu lugar ao sol...
Disse o profeta:

eu tenho essa amiga, que reconhece em mim um certo valor criativo e porque não, literário. mas quando se trata de escrever, bom mesmo é esticar as pernas e dar asas à imaginação. não, ela já queria me ditar alguns cânones pra poder ficar mais "vendável". diz que eu sou agressivo, que pareço com o jabor. ora, imenso elogio implicado na crítica, uma vez que eu adoro o cara. então eu venho aqui pro meu blogzinho que ninguém lê e choro minhas pitangas em paz.
haverá quem queira publicar essas minhas palavras? sei lá. não deveria ser essa alma voltada pros consumidores, o moto perpétuo desse pseudo escritor, mas meus meandros nessa passagem pelo mundo. aí sim.

como aquela criança que brinca com seus carrinhos do outro lado da rua. não deve ter mais de três anos. uma coisa é falar pensando nele, outra seria escrever tentando ser ele. ele que nem sabe direito dizer o nome das coisas, como chamará seus carrinhos? se é que chama de alguma coisa. aí passa a vizinha e diz pra ele que o objeto em suas mãos é amarelo, como também sua blusinha. e assim vai impondo esse conjunto de normas que chamamos de língua. e o piá, sem saber, vai sendo aculturado.

então, voltando ao tema, se um dia eu me pusesse a escrever uma coluna em algum blog famoso ou jornal, que tema escolheria, que maneira usaria pra referir o assunto: docemente, raivosamente ou displicentemente? quem saberá?
segue a barca rumo ao desconhecido. e um abraço pro gaiteiro.
Disse o profeta:

foi justamente na entrada que ele percebeu que seus pés já não tocavam o chão. e a sensação do vazio, sempre presente, passou a ser uma bela companhia. não que ele esperasse demais daquele sonho bom, mas a viagem estava abrindo precedentes perigosos na sua mente, já tão alterada pelos anos contínuos de ingestão de drogas farmacêuticas, além das vendidas pelas ruas da cidade.
agora que seu equipamento de pouso estava sem qualquer uso evidente, ele desativou o último sinal de perigo que piscava incessante no equipamento de mão e de mãos dadas com o infinito presente, mergulhou sua falta de fé no último sorriso da musa.
a nave partiu desvairada. o horizonte depunha a favor de suas ambições de paz: era um por do sol, era uma manhã na floresta, era um sorriso do gato de alice.
- obrigado pelo despertar seguro em dia tão banal, - ele ainda conseguiu escrever sua última mensagem de texto, com as mãos trêmulas de prazer. e foi lentamente engolido pelo inconsciente coletivo que passava.
Disse o profeta:

Ela me perguntou em que lugar o amor e a liberdade se

encontram e sugeriu: no silêncio, na impossibilidade de

fechamento, na fronteira, no limite? Afinal, dá pra voar

com o coração transbordando ou voar requer o vazio?


Agora eu fiquei pensando nesse campo das

impossibilidades, numa certa cultura do fracasso,

lembrada aqui pelo f. pessoa:


Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.

É nesse momento em que estou pela milionésima vez em plena encruzilhada, vindo de caminho cheio de sonhos não realizados, amores não vividos, que paro pra tentar pelo menos aliviar a carga de estar sempre à beira desse dia de felicidade.

Então chega outro amigo e diz: a felicidade é o caminho, não o destino.

Temos aí uma saída, mas decerto fica sempre um gosto amargo na última mordida.


Disse o profeta:
e ela disse adeus
e lá se foi mais uma noite pelo ralo...