Disse o profeta:
Do Efraim Medina Reyes, de um livro chamado Técnicas de masturbação entre batman e robin:
Há entre duas criaturas, entre dois silêncios, entre duas pedras, uma distância, um olho escuro e um relâmpago. O universo viaja muito adentro de si mesmo e se projeta em nós como um sonho. A realidade não são as estrelas mas o lugar vazio entre elas, a realidade não é o globo de Symnes mas o que está fora desse globo. Essa linha por onde se desloca cada dia nossa sombra, esse lugar que recolhe nossas emoções e silêncios, esse credo que não percebemos e que nos oprime, essa mutação sem saída.
Há entre duas criaturas um sopro, um fogo que arde para o interior, uma carícia jamais conseguida, um medo que assusta a si mesmo, um manicômio repleto, uma vida que gostaria de se inventar, algo inquietante, abismal.
Há entre duas criaturas uma folha seca, um peixe de cristal, uma coluna de formigas de ouro, uma canção sem voz, um crime, um segredo que não lhes pertence.
Disse o profeta:
Mais uma do velho safado, mesmo livro Factótum:
- Você é casado, Manny
- Sem chance.
- Mulheres?
- Às vezes, mas nunca dura.
- Qual é o problema?
- Uma mulher é um emprego de turno integral. É preciso escolher sua profissão.
- Acredito que há um esgotamento emocional.
- E físico também. Elas querem trepar dia e noite.
- Consiga uma que você goste de comer.
- Sim, mas se você bebe ou joga, elas pensam que isso deprecia o amor que elas sentem por você.
- Arrume uma que goste de beber, jogar e foder.
- Quem quer uma mulher assim?
Mais uma do velho safado, mesmo livro Factótum:
- Você é casado, Manny
- Sem chance.
- Mulheres?
- Às vezes, mas nunca dura.
- Qual é o problema?
- Uma mulher é um emprego de turno integral. É preciso escolher sua profissão.
- Acredito que há um esgotamento emocional.
- E físico também. Elas querem trepar dia e noite.
- Consiga uma que você goste de comer.
- Sim, mas se você bebe ou joga, elas pensam que isso deprecia o amor que elas sentem por você.
- Arrume uma que goste de beber, jogar e foder.
- Quem quer uma mulher assim?
uma dose de bukowksi
Disse o profeta:
Toda vez que eu passava pelo corredor da pensão, Gertrude parecia estar ali plantada. Era perfeita, sexo puro e enlouquecedor, e ela sabia disso, e jogava com isso, e destilava isso, e permitia que você sofresse desejando aquilo. Isso a deixava feliz. E também não me fazia mal. Ela podia simplesmente ter encerrado tudo, privando-me do calor que me provocavam aquelas gotinhas que ela deixava escorrer. Como a maioria dos homens numa situação como esta, percebi que não conseguiria nada com ela - conversas íntimas, excursões excitantes pela costa, longas caminhadas aos domingos - até que lhe tivesse feito umas quantas promessas absurdas.
- Você é um cara estranho. Passa um bocado de tempo sozinho, não?
- Sim.
- O que há de errado?
- Estive doente por muito tempo, antes daquela manhã em que você me conheceu.
- Está doente agora?
- Não.
- Então o que há de errado?
- Não gosto de pessoas.
- Você acha que isso é certo?
- Provalvelmente não.
- Você iria comigo ao cinema uma noite dessas?
Charles Bukowski in Factótum
Toda vez que eu passava pelo corredor da pensão, Gertrude parecia estar ali plantada. Era perfeita, sexo puro e enlouquecedor, e ela sabia disso, e jogava com isso, e destilava isso, e permitia que você sofresse desejando aquilo. Isso a deixava feliz. E também não me fazia mal. Ela podia simplesmente ter encerrado tudo, privando-me do calor que me provocavam aquelas gotinhas que ela deixava escorrer. Como a maioria dos homens numa situação como esta, percebi que não conseguiria nada com ela - conversas íntimas, excursões excitantes pela costa, longas caminhadas aos domingos - até que lhe tivesse feito umas quantas promessas absurdas.
- Você é um cara estranho. Passa um bocado de tempo sozinho, não?
- Sim.
- O que há de errado?
- Estive doente por muito tempo, antes daquela manhã em que você me conheceu.
- Está doente agora?
- Não.
- Então o que há de errado?
- Não gosto de pessoas.
- Você acha que isso é certo?
- Provalvelmente não.
- Você iria comigo ao cinema uma noite dessas?
Charles Bukowski in Factótum
Disse o profeta:
De Efraim Medina Reyes (O livro chama-se Técnicas de Masturbação entre Batman e Robin)
Para amar uma mulher, primeiro devemos fingir esse amor. Mentimos até conseguir amá-la e depois, quando chega o vazio, juramos que o amor ainda está ali. Nunca estamos de verdade com uma mulher, e sim com essa idéia de estar com ela. A mulher que desejamos está a distância e depois a proximidade a consome, faz dela um traste ou uma relíquia.
De Efraim Medina Reyes (O livro chama-se Técnicas de Masturbação entre Batman e Robin)
Para amar uma mulher, primeiro devemos fingir esse amor. Mentimos até conseguir amá-la e depois, quando chega o vazio, juramos que o amor ainda está ali. Nunca estamos de verdade com uma mulher, e sim com essa idéia de estar com ela. A mulher que desejamos está a distância e depois a proximidade a consome, faz dela um traste ou uma relíquia.
Disse o profeta:
O site Interzona tem uma relação de afinidade com a loucura. Por tratar de arte e filosofia, o Interzona não poderia deixar de abordar tal questão. A loucura é um fenômeno fundamental e está intimamente relacionada com a criação, seja ela artística ou filosófica. Como bem o disse Nietzsche, é a loucura que “aplana o caminho da idéia nova que rompe com a proclamação de um costume, de uma superstição venerada”. Sem ela, a arte e a filosofia como conhecemos hoje sequer seriam possíveis, e a vida, enfim, seria muito mais pobre.
O Interzona tem como proposta resgatar certos temas do espaço preconceituoso e moralista em que foram inseridos. Resgatar o tema das drogas e da loucura, por exemplo. Nossa posição não é exatamente a da imparcialidade ou da isenção, não cultuamos a justiça nem o equilíbrio. O que se pretende de fato é afirmar a positividade e a necessidade de certos temas e atitudes. Temas que não são nem polêmicos nem nocivos, apenas diferentes dos temas ditos adequados.
O site Interzona tem uma relação de afinidade com a loucura. Por tratar de arte e filosofia, o Interzona não poderia deixar de abordar tal questão. A loucura é um fenômeno fundamental e está intimamente relacionada com a criação, seja ela artística ou filosófica. Como bem o disse Nietzsche, é a loucura que “aplana o caminho da idéia nova que rompe com a proclamação de um costume, de uma superstição venerada”. Sem ela, a arte e a filosofia como conhecemos hoje sequer seriam possíveis, e a vida, enfim, seria muito mais pobre.
O Interzona tem como proposta resgatar certos temas do espaço preconceituoso e moralista em que foram inseridos. Resgatar o tema das drogas e da loucura, por exemplo. Nossa posição não é exatamente a da imparcialidade ou da isenção, não cultuamos a justiça nem o equilíbrio. O que se pretende de fato é afirmar a positividade e a necessidade de certos temas e atitudes. Temas que não são nem polêmicos nem nocivos, apenas diferentes dos temas ditos adequados.
Disse o profeta:
Saudade
Não é um cálculo de proporção, não obedece a nenhuma regra. É um frio no pé que faz o tempo passar bem mais devagar.
Da Sol
http://blueyed.blogspot.com/
Saudade
Não é um cálculo de proporção, não obedece a nenhuma regra. É um frio no pé que faz o tempo passar bem mais devagar.
Da Sol
http://blueyed.blogspot.com/
Deus está morto.
Disse o profeta:
Assim, a morte de Deus abriria caminho para novas possibilidades humanas. Os homens, não mais procurando vislumbrar uma realidade sobrenatural, poderiam começar a reconhecer o valor deste mundo. Assumir a morte de Deus seria livrar-se dos pesados ídolos do passado e assumir nossa liberdade, tornando-nos nós mesmo deuses como diz o Louco, citando uma das blasfêmias bíblicas. Esse mar aberto de possibilidades seria uma tal responsabilidade que, acreditava Nietzsche, muitos não estariam dispostos a enfrentá-lo. A maioria continuaria a necessitar de regras e de autoridades dizendo o que fazer, como julgar e como ler o mundo.
Da wikipédia, falando da morte de deus em Nietzsche
http://pt.wikipedia.org/wiki/Deus_Est%C3%A1_Morto
Assim, a morte de Deus abriria caminho para novas possibilidades humanas. Os homens, não mais procurando vislumbrar uma realidade sobrenatural, poderiam começar a reconhecer o valor deste mundo. Assumir a morte de Deus seria livrar-se dos pesados ídolos do passado e assumir nossa liberdade, tornando-nos nós mesmo deuses como diz o Louco, citando uma das blasfêmias bíblicas. Esse mar aberto de possibilidades seria uma tal responsabilidade que, acreditava Nietzsche, muitos não estariam dispostos a enfrentá-lo. A maioria continuaria a necessitar de regras e de autoridades dizendo o que fazer, como julgar e como ler o mundo.
Da wikipédia, falando da morte de deus em Nietzsche
http://pt.wikipedia.org/wiki/Deus_Est%C3%A1_Morto
novas
Disse o profeta:
Fazia tempo que não encontrava nada tão interessante na rede. Claro que os textos encontrados na net não são tão confiáveis. Não conhecia esse texto. Mas o site é maravilhoso.
Para a Psicologia do Artista - para que haja a arte, para que haja a ação e uma visualização estética é incontornável uma precondição fisiológica: a embriaguez. A embriaguez precisa ter elevado primeiramente a excitabilidade de toda a máquina: senão não se chega à arte. Todos os modos diversamente condicionados da embriaguez ainda possuem a força para isso: antes de tudo, a embriaguez da excitação sexual, a mais antiga e original forma de embriaguez. Da mesma forma, a embriaguez que nasce como conseqüência de todo grande empenho do desejo, de toda e qualquer afecção forte; a embriaguez da festa, do combate, dos atos de bravura, da vitória, de todo e qualquer movimento extremo; a embriaguez da crueldade; a embriaguez na destruição; a embriaguez sob certas influências meteorológicas, por exemplo, a embriaguez primaveril; ou sobre as influências dos narcóticos; por fim, a embriaguez da vontade, a embriaguez de uma vontade acumulada e dilatada. – O essencial na embriaguez é o sentimento de elevação da força e da plenitude. A partir deste sentimento nos entregamos às coisas, as obrigamos a nos tomar, as violentamos.
Friedrich Nietzsche
E muito mais, na http://www.interzona.cjb.net/
Fazia tempo que não encontrava nada tão interessante na rede. Claro que os textos encontrados na net não são tão confiáveis. Não conhecia esse texto. Mas o site é maravilhoso.
Psicologia do Artista
Para a Psicologia do Artista - para que haja a arte, para que haja a ação e uma visualização estética é incontornável uma precondição fisiológica: a embriaguez. A embriaguez precisa ter elevado primeiramente a excitabilidade de toda a máquina: senão não se chega à arte. Todos os modos diversamente condicionados da embriaguez ainda possuem a força para isso: antes de tudo, a embriaguez da excitação sexual, a mais antiga e original forma de embriaguez. Da mesma forma, a embriaguez que nasce como conseqüência de todo grande empenho do desejo, de toda e qualquer afecção forte; a embriaguez da festa, do combate, dos atos de bravura, da vitória, de todo e qualquer movimento extremo; a embriaguez da crueldade; a embriaguez na destruição; a embriaguez sob certas influências meteorológicas, por exemplo, a embriaguez primaveril; ou sobre as influências dos narcóticos; por fim, a embriaguez da vontade, a embriaguez de uma vontade acumulada e dilatada. – O essencial na embriaguez é o sentimento de elevação da força e da plenitude. A partir deste sentimento nos entregamos às coisas, as obrigamos a nos tomar, as violentamos.
Friedrich Nietzsche
E muito mais, na http://www.interzona.cjb.net/
Disse o profeta:
Silêncio na torre. Agora nem os ratos ousaram sussurrar suas canções de escárnio. Sobre os tapetes esfarrapados ainda caminha a mesma figura. E nossos olhos curiosos buscam um sentido para o próximo ato. Haverá luz e som?Despertarão os sentidos entorpecidos pelo óbvio?Vago ainda, fantasmagórico, pelo passado.Custo a crer que os dias de luxúria se foram.De repente a figura para. Vira-se lentamente. Em seus olhos, chamas. Vai começar mais uma corrida pelos domínios de Hades.
Silêncio na torre. Agora nem os ratos ousaram sussurrar suas canções de escárnio. Sobre os tapetes esfarrapados ainda caminha a mesma figura. E nossos olhos curiosos buscam um sentido para o próximo ato. Haverá luz e som?Despertarão os sentidos entorpecidos pelo óbvio?Vago ainda, fantasmagórico, pelo passado.Custo a crer que os dias de luxúria se foram.De repente a figura para. Vira-se lentamente. Em seus olhos, chamas. Vai começar mais uma corrida pelos domínios de Hades.
Disse o profeta: palavras de Robires, o sábio
Vou lá comprar cigarras, pra elas cantarem na minha boca, enquanto meu sorriso continua na gaveta.
http://www.fotolog.com/everybodyknows
Vou lá comprar cigarras, pra elas cantarem na minha boca, enquanto meu sorriso continua na gaveta.
http://www.fotolog.com/everybodyknows
Disse o profeta: Eu hoje fiquei pensando nesse outro jeito de colocar as coisas. Sem maiores explicações, sem o didatismo que me persegue. Simplesmente deixá-las sobre a mesa de quem lê, dando-lhe a liberdade para construir sua história da melhor maneira que quiser.
E desta forma quero falar de um beijo que levou seis ou sete anos pra acontecer. Que guardou uma imensa emoção ao ser recebido, mas que, afinal, era um beijo. E como somos todos nós falíveis e indóceis, foi recebido também com um bocado de raiva pela espera.
Agora pululam os agregados, que um beijo assim nunca sai barato. Vamos aguardar pra ver. Não tenho mesmo a intenção, nem na verdade guardo condições, de me metamorfosear num asseado e temente a deus, pai de família. Espero que essa mensagem tenha ficado clara. Tento não me torturar com as expectativas do grupo.
Mas carinho nunca é demais. Sejas bem-vinda.
E desta forma quero falar de um beijo que levou seis ou sete anos pra acontecer. Que guardou uma imensa emoção ao ser recebido, mas que, afinal, era um beijo. E como somos todos nós falíveis e indóceis, foi recebido também com um bocado de raiva pela espera.
Agora pululam os agregados, que um beijo assim nunca sai barato. Vamos aguardar pra ver. Não tenho mesmo a intenção, nem na verdade guardo condições, de me metamorfosear num asseado e temente a deus, pai de família. Espero que essa mensagem tenha ficado clara. Tento não me torturar com as expectativas do grupo.
Mas carinho nunca é demais. Sejas bem-vinda.
Karla Hack
Disse o profeta:
A internet tá cheia de erros e curvas e disfarces. Justamente essa possibilidade de ser praticamente anônimo abre as portas para as mais variadas manifestações de medo e delírio, como no título do filme (Fear and Loathin in Las Vegas). Então a gente se depara com todo tipo de coisa. Eu hoje fui apresentado para Karla Hack (http://www.orkut.com/Album.aspx?uid=4441939947880800137). Gosto de imaginar que é um homem escrevendo como se fosse mulher. Mas no meio daquela selva de palavras, encontrei umas provocativas que me agradaram. Coisa de mulher fatal, sente só
- “Nossa” história –
Esta louca anedota de dois,
Contudo individualizados,
Perdidos na procura
por alicerces em outros
Mais instáveis que nós
Espero e Nego
Afetei sua vida?
Seus dias foram cinzas?
Provou do frio?
Flertou com a solidão apaixonada?
Espero e Nego e Amo.
Karla Hack dos Santos
A internet tá cheia de erros e curvas e disfarces. Justamente essa possibilidade de ser praticamente anônimo abre as portas para as mais variadas manifestações de medo e delírio, como no título do filme (Fear and Loathin in Las Vegas). Então a gente se depara com todo tipo de coisa. Eu hoje fui apresentado para Karla Hack (http://www.orkut.com/Album.aspx?uid=4441939947880800137). Gosto de imaginar que é um homem escrevendo como se fosse mulher. Mas no meio daquela selva de palavras, encontrei umas provocativas que me agradaram. Coisa de mulher fatal, sente só
- “Nossa” história –
Esta louca anedota de dois,
Contudo individualizados,
Perdidos na procura
por alicerces em outros
Mais instáveis que nós
Espero e Nego
Afetei sua vida?
Seus dias foram cinzas?
Provou do frio?
Flertou com a solidão apaixonada?
Espero e Nego e Amo.
Karla Hack dos Santos
Disse o profeta:
O que há de originalidade nisso tudo? De que vale nadar nesse mar de informações? Desbravar essa selva de idéias? Afinal tudo está mais do que dito e repetido. Somos grão de areia na praia, gota d'água no oceano. Ínfima partícula condenada a vagar pelo infinito. E de vez em quando pinta uma ilusão. Parece que alguém nos ouve. Está atento a nossos sentimentos e impressões. Então nosso eguinho incha, infla, parece que vai voar a qualquer momento. Para daí a pouco cair novamente. Ao percebermos que o objeto da paixão estava em busca de um espelho, no qual possa se ver, admirar-se e a seus maravilhosos atos. E, como diz (mais uma vez) Caetano: "É que narciso acha feio o que não é espelho". Tudo não passa de um jogo triste onde estamos condenados a mais dor e decepção. Não fosse essa força irresistível do instinto, haveria de viver uma vida de solidão pacífica. Então aí está, não tem saída. Pra onde se correr, aí estará o tombo.
Mais um pequeno texto recheado de esperança do seu...
O que há de originalidade nisso tudo? De que vale nadar nesse mar de informações? Desbravar essa selva de idéias? Afinal tudo está mais do que dito e repetido. Somos grão de areia na praia, gota d'água no oceano. Ínfima partícula condenada a vagar pelo infinito. E de vez em quando pinta uma ilusão. Parece que alguém nos ouve. Está atento a nossos sentimentos e impressões. Então nosso eguinho incha, infla, parece que vai voar a qualquer momento. Para daí a pouco cair novamente. Ao percebermos que o objeto da paixão estava em busca de um espelho, no qual possa se ver, admirar-se e a seus maravilhosos atos. E, como diz (mais uma vez) Caetano: "É que narciso acha feio o que não é espelho". Tudo não passa de um jogo triste onde estamos condenados a mais dor e decepção. Não fosse essa força irresistível do instinto, haveria de viver uma vida de solidão pacífica. Então aí está, não tem saída. Pra onde se correr, aí estará o tombo.
Mais um pequeno texto recheado de esperança do seu...
Disse o profeta:
Congestionamento de vassouras na convenção das bruxas.
Os semáforos, enfeitiçados, piscam em todas as cores.
Microcontos - Carlos Seabra
http://cseabra.utopia.com.br/microcontos/
Congestionamento de vassouras na convenção das bruxas.
Os semáforos, enfeitiçados, piscam em todas as cores.
Microcontos - Carlos Seabra
http://cseabra.utopia.com.br/microcontos/
Disse o profeta:
Quero dizer que não escrevo (posto, do inglês aportuguesado, postar, como se diz agora) aqui todo dia, ou com alguma regularidade, por que nunca foi essa a proposta. É pra quando tem algo pra dizer. Senão transcrevo alguma coisa legal que esteja lendo. Não é bem um diário. Tem elementos cotidianos, mais ou menos banais. Tem reflexões mais profundas. Tem reclamação barata. Tem chute estiloso. É uma salada. Eu gosto de ler o meu blog. Eu me orgulho dele. Deve ter um ou outro que leia. Mas não sou popular. Não trago uma mensagem positiva. Não tenho uma vida glamourosa. Não viajo. Não conheço ninguém famoso. Tenho lá uma vida interior e algum quilômetro de estrada. Mas não sei compartilhar tudo, abrir meu coração. Nem acho que isso tenha importância. O lance é que eu gosto de escrever. Desse jeito mesmo. Sem público, sem objetivo claro. Gosto de dar minha opinião. Eu mais perco que acho alguma coisa. Mas, como diz Caetano: como é bom poder tocar um instrumento.
Quero dizer que não escrevo (posto, do inglês aportuguesado, postar, como se diz agora) aqui todo dia, ou com alguma regularidade, por que nunca foi essa a proposta. É pra quando tem algo pra dizer. Senão transcrevo alguma coisa legal que esteja lendo. Não é bem um diário. Tem elementos cotidianos, mais ou menos banais. Tem reflexões mais profundas. Tem reclamação barata. Tem chute estiloso. É uma salada. Eu gosto de ler o meu blog. Eu me orgulho dele. Deve ter um ou outro que leia. Mas não sou popular. Não trago uma mensagem positiva. Não tenho uma vida glamourosa. Não viajo. Não conheço ninguém famoso. Tenho lá uma vida interior e algum quilômetro de estrada. Mas não sei compartilhar tudo, abrir meu coração. Nem acho que isso tenha importância. O lance é que eu gosto de escrever. Desse jeito mesmo. Sem público, sem objetivo claro. Gosto de dar minha opinião. Eu mais perco que acho alguma coisa. Mas, como diz Caetano: como é bom poder tocar um instrumento.
Disse o profeta, do mesmo Desastronauta:
Os homens práticos possuem todas as mulheres do mundo. Quanto a mim, nada entendo de mulheres e física nuclear. Mulher eu não entendo, eu abraço. Há o risco de nós, os pequenos sonhadores, ficarmos substituindo o contato direto por um prolongamento do lirismo - a mulher mais linda pode virar poema, mas acaba não indo pra cama com você. Ela gosta de estar com você, a conversa é agradável (pra ela), você é o bom, o confidente, mas quem vai dormir com ela são os outros, pois você a compreende demais para tanto, e fica a ver navios. Não que eu seja contra a amizade entre o homem e a mulher, mas essa bondade, no caso, é execrável.
Os homens práticos possuem todas as mulheres do mundo. Quanto a mim, nada entendo de mulheres e física nuclear. Mulher eu não entendo, eu abraço. Há o risco de nós, os pequenos sonhadores, ficarmos substituindo o contato direto por um prolongamento do lirismo - a mulher mais linda pode virar poema, mas acaba não indo pra cama com você. Ela gosta de estar com você, a conversa é agradável (pra ela), você é o bom, o confidente, mas quem vai dormir com ela são os outros, pois você a compreende demais para tanto, e fica a ver navios. Não que eu seja contra a amizade entre o homem e a mulher, mas essa bondade, no caso, é execrável.
o desastronauta
Disse o profeta: mais uma leitura compartilhada. Do Flávio Moreira da Costa, o Desastronauta, publicado pela Agir em 2006.
- de vez em quando dou por mim murmurando quase em voz alta "existe gente demais no mundo", isso ocorre quando estou em ruas muito movimentadas, em aglomerações - as pessoas nada significam umas pras outras, a não ser depois da longa trajetória que leva à amizade ou ao amor, enquanto isso você é apenas um vulto que passa, se você quer ter a sensação de se sentir como uma formiga, uma poeira, vá a Nova York, lá eu vi um homem chorando, gritando na estação do metrô, para que chamassem a polícia porque ele queria ser preso, tanta era a miséria, a solidão, a fome e o isolamento - os jornais chamam isso de "o drama da cidade grande", a verdade é que você é um zero, entendeu, ou melhor, apenas um/quatro milhões de avos, nada mais que isso, aceite pois, essa verdade, pequeno-burguês, operário, poeta, professorzinho, engenheiro, marginal, a não ser que você possua uma excelente conta bancária, e com o dinheiro anule muitos avos e aumente a sua importância, compre situação, prestígio, durma com mais mulheres bonitas (pois o sex-appeal está no livrinho de cheques), passe a ser conceituado "senhor Fulano de Tal", seu nome aparece em determinadas colunas de jornais, freqüenta festas black-tie, conhece simpáticas raposas políticas, convida-as para jantar e acaba - afinal de contas a sua esposa é atraente - você mesmo um político, se você é bacharel em ciências jurídicas e sociais isso ajuda, pois com o anel mágico no dedo seu handicap aumenta, e pode mesmo acabar deputado federal ou quem sabe governador (questão de cuidar das amizades) - mas isso tudo é excessão, a regra é: apenas um dado estatístico, e convém se conformar com isso - conforme-se senhor um-quatro milhão de avos! - escravidão, onde estás que não te abolem?! - mas no fundo da sua neurose acha que é até bom ser anônimo, que tem lá suas vantagens, você sabe que a humanidade se divide entre os de cima e os de baixo - e neste século surgiu em massa um estado fluídico intermediário (a classe média, mérdia, mérdia), o mais triste pois, vindo de baixo, contempla, adula, deseja o status de cima, e se chega a atingi-lo passa a ser pior que os outros, a lírica humanidade-civilização-sifilização se compõe de mau-caráteres e imbecis - você percebe onde deve se localizar - e, de repente você percebe que o mito de Sísifo não é mito coisa nenhuma, mas a pura, dura realidade: estamos sempre carregando uma pedra ladeira acima que teima em rolar novamente para baixo e recomeçamos a empurrá-la para acima e assim para sempre, amém - ai dos que não recomeçam! - e as pessoas enlouquecem quando resolvem se questionar sobre essa ação, essa força, e cada um arruma um nome-desculpa, Deus, ou isso e aquilo - literatura, literaturra, literatice - , a verdade é que o mundo caminha para o socialismo ou para o abismo, talvez para o abismo(...)
- de vez em quando dou por mim murmurando quase em voz alta "existe gente demais no mundo", isso ocorre quando estou em ruas muito movimentadas, em aglomerações - as pessoas nada significam umas pras outras, a não ser depois da longa trajetória que leva à amizade ou ao amor, enquanto isso você é apenas um vulto que passa, se você quer ter a sensação de se sentir como uma formiga, uma poeira, vá a Nova York, lá eu vi um homem chorando, gritando na estação do metrô, para que chamassem a polícia porque ele queria ser preso, tanta era a miséria, a solidão, a fome e o isolamento - os jornais chamam isso de "o drama da cidade grande", a verdade é que você é um zero, entendeu, ou melhor, apenas um/quatro milhões de avos, nada mais que isso, aceite pois, essa verdade, pequeno-burguês, operário, poeta, professorzinho, engenheiro, marginal, a não ser que você possua uma excelente conta bancária, e com o dinheiro anule muitos avos e aumente a sua importância, compre situação, prestígio, durma com mais mulheres bonitas (pois o sex-appeal está no livrinho de cheques), passe a ser conceituado "senhor Fulano de Tal", seu nome aparece em determinadas colunas de jornais, freqüenta festas black-tie, conhece simpáticas raposas políticas, convida-as para jantar e acaba - afinal de contas a sua esposa é atraente - você mesmo um político, se você é bacharel em ciências jurídicas e sociais isso ajuda, pois com o anel mágico no dedo seu handicap aumenta, e pode mesmo acabar deputado federal ou quem sabe governador (questão de cuidar das amizades) - mas isso tudo é excessão, a regra é: apenas um dado estatístico, e convém se conformar com isso - conforme-se senhor um-quatro milhão de avos! - escravidão, onde estás que não te abolem?! - mas no fundo da sua neurose acha que é até bom ser anônimo, que tem lá suas vantagens, você sabe que a humanidade se divide entre os de cima e os de baixo - e neste século surgiu em massa um estado fluídico intermediário (a classe média, mérdia, mérdia), o mais triste pois, vindo de baixo, contempla, adula, deseja o status de cima, e se chega a atingi-lo passa a ser pior que os outros, a lírica humanidade-civilização-sifilização se compõe de mau-caráteres e imbecis - você percebe onde deve se localizar - e, de repente você percebe que o mito de Sísifo não é mito coisa nenhuma, mas a pura, dura realidade: estamos sempre carregando uma pedra ladeira acima que teima em rolar novamente para baixo e recomeçamos a empurrá-la para acima e assim para sempre, amém - ai dos que não recomeçam! - e as pessoas enlouquecem quando resolvem se questionar sobre essa ação, essa força, e cada um arruma um nome-desculpa, Deus, ou isso e aquilo - literatura, literaturra, literatice - , a verdade é que o mundo caminha para o socialismo ou para o abismo, talvez para o abismo(...)
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