Disse o profeta:

CADA LUGAR NA SUA COISA
(SERGIO SAMPAIO)

UM LIVRO DE POESIA NA GAVETA
NÃO ADIANTA NADA
LUGAR DE POESIA É NA CALÇADA
LUGAR DE QUADRO É NA EXPOSIÇÃO
LUGAR DE MÚSICA É NO RÁDIO
ATOR SE VÊ NO PALCO E NA TELEVISÃO
O PEIXE É NO MAR
LUGAR DE SAMBA ENREDO É NO ASFALTO
LUGAR DE SAMBA ENREDO É NO ASFALTO

AONDE VAI O PÉ ARRASTA O SALTO
LUGAR DE SAMBA ENREDO É NO ASFALTO
AONDE A PÉ VAI SE GASTA SOLA
LUGAR DE SAMBA ENREDO É NA ESCOLA
Disse o profeta:

Quando o Carnaval Chegar
Chico Buarque

Quem me vê sempre parado, distante garante que eu não sei sambar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando, não posso falar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo as pernas de louça da moça, que passa e não posso pegar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Há quanto tempo desejo seu beijo molhado de maracujá
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me ofende, humilhando, pisando, pensando que eu vou aturar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me vê apanhando da vida duvida que eu vá revidar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo a barra do dia surgindo pedindo pra gente cantar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tenho tanta alegria adiada, abafada, quem dera gritar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar



Disse o profeta:

Eu fiquei pensando, prá que que serve um guerreiro sem guerra?
Esse veneno, essa raiva toda acumulada, vai pra onde?
Eu lembrei do Apocalipse Now.
A infernal espera.

Mas sigo aqui. Firme na areia movediça. Dos seriados dos anos 60. Do túnel do tempo, da viagem ao fundo do mar, do batman e do perdidos no espaço.
Perigo, perigo.

Mas depois de provocar, eu mal aguento o contravento.

Fica quieto, coração de leão. Guarda esta espada, flash gordon.

Fica na tua, kafka, a barata.

Nilo Neto
Disse o profeta:

“Como pode, ó mártir, o bêbado dormir, ó heroína, sem babar, ó santíssima?”
Dalton Trevisan


A besta-fera gamada pela mais doce gatinha do bairro. Barba cerrada roçando a bochechinha de boneca chinesa:
- Ai benzinho, cê tá com um bafão de vinho!
- Não me incomoda. Vem cá dar um beijo.
Boca molhada, língua mole, olhos vermelhos. Sabe Deus quantos bares.
O Semi-humano emite grunhidos sem sentido, como se falasse o idioma das cavernas.
- Vem que hoje eu tô aceso.
- No café, no almoço, na janta, assim me mata.
- E não é amor?
- Sei não, parece pecado.
Mas já é tarde. Meio arrastada, meio assustada, ela sucumbe. A Besta-fera lambe os beiços e cai num sono profundo, roncando de acordar criancinha chorando.
- Assim dormindo ele parece tão inocente!
Disse o profeta:

Já andava precisando mesmo deste espaço virtual para vomitar sandices.
E convido aos infelizes adaptados normopatas e despirem-se dos últimos suspiros de verdades pré-fabricadas e
vomitarem aqui a rebarba da amargura que é viver
nessa sociedade essencialmente mentirosa e inoperante.

rerere
Disse o profeta:

Ela estava escorada num carro bacana. E tinha um olhar impressionante. Não resisti. Perguntei:
- Você sabe o que é um ponto?
Ela fez que não era com ela.
Insisti:
- Você sabe o que é uma vírgula?
Ela me olhou como se a minha nave estivesse estacionada no mesmo posto de gasolina. Respondeu:
- Claro que sei o que é uma vírgula.
- Mas você sabe como usar ponto e vírgula?

O mundo virou um imenso shopping center. E eu sem vontade de comprar nada.
Eu sem desejos claros, sem fome nem sede de nada. Eu querendo olhar o mar. Eu querendo um vento.

Nem tudo está perdido, dizia o neon, pulsando em vermelho, na praça de alimentação.
O Blade Runner dentro de mim. Jogo eterno entre valores que desconheço. Comecei a procurar a tal nave. Tomei mais um gole, já meio quente, da cerveja.

Fui pra casa dormir em posição fetal. Até acordar ao som da mais nova moda...

Disse o profeta:

Apesar de você

Chico Buarque
1970

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu
Você que inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia


Desesperar Jamais(Ivan Lins)


Desesperar, jamais
Aprendemos muitos nesses anos
Afinal de contas não tem cabimento
Entregar o jogo no primeiro tempo
Nada de correr da raia
Nada de morrer na praia
Nada, nada, nada de esquecer
No balanço de perdas e danos
Já tivemos muitos desenganos
Já tivemos muito que chorar
Mas agora acho que chegou a hora de fazer
Valer o dito popular
Desesperar jamais
Cutucou por baixo
O de cima cai
Desesperar jamais
Cutucou com jeito
Não levanta mais


Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua
(Sérgio Sampaio)

Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
Que eu caí do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou

Há quem diga que eu não sei de nada
Que eu não sou de nada e não peço desculpas
Que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira
E que Durango Kid quase me pegou

Eu, por mim, queria isso e aquilo
Um quilo mais daquilo, um grilo menos disso
É disso que eu preciso ou não é nada disso
Eu quero todo mundo nesse carnaval...

Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar, pra dar e vender

Disse o profeta:

OFEREÇO MEUS SERVIÇOS E PRODUTOS

1. Estacionamento – hora 1,50, dia 5,00 e mês 50,00 – Rua major costa, 126 – centro - Florianópolis.
2. Sebo eletrônico – DVDs (R$ 15,00), CDs (R$ 10,00), Livros e Vinil (tudo original e bem conservado).
3. Fotografia digital – máquina canon S400, com 4 megapixels, projetos para empresas, festas, bebês, books – criação de álbum digital com música e efeitos.
4. Edição de áudio – fitas, gravações, locuções, criação de spots, mp3 e cds.
5. CDs por encomenda – possuo grande acervo de músicas. R$ 15,00 (com capa personalizada)
6. Tradução: inglês-português, português-inglês (15 reais a página A4, com intervalo duplo, fonte 12)
7. Aulas particulares de inglês: individual e pequenos grupos (15 reais por hora)
8. Aulas de Informática: individual , windows, word, internte explorer, corel draw (especializado para portadores de transtornos mentais) (20 reais a hora)
9. Birô de criação – redação publicitária, releases, discursos, marketing político (preços a combinar).

Nilo Neto

Roberto Freire


Não resta mais dúvida alguma para mim que a necessidade de poder absoluto corresponde sempre a uma impossibilidade de se viver os prazeres relativos da existência cotidiana. A perda do prazer espontâneo cria nas pessoas, por mecanismos psicopatológicos de compensação perversa, a necessidade compulsiva de poder. Todo tipo de pode: o físico, o psicológico, o afetivo, o sexual, o econômico, o político. A forma de prazer que ainda sobraria nessas pessoas seria o de natureza sadomasoquista e paranóica: necessidade da dor alheia ou própria para se alcançar o prazer, necessidade essa comandada pelo fato de se sentirem superiores, especiais, e que por isso devem estar em constante estado de defesa e ataque contra inimigos, usando para isso o máximo requinte de crueldade e extrema violência. Assim, o prazer-dor da dominação, de mandar, de se apropriar e de explorar, corresponde à dor-prazer de ser dominado, de ser mandado, de ser apropriado e de ser explorado. Verifica-se que o exercício desse tipo de poder substitui parcial e pervertidamente o prazer. Funciona em forma de cadeia nas formas sociais autoritárias, fazendo surgir o gosto também patológico de ser dominado pelos mais poderosos.
(...)
Para ilustrar essas idéias posso citar o que se passa na hierarquia militar dos quartéis.
(...)
Ao analisar dessa forma os perigos e inconveniências do poder para se sentir o tesão de viver, posso estar fazendo supor que a necessidade de poder não seja coisa natural na vida dos homens. Estou me referindo criticamente apenas à necessidade de poder que procura substituir a necessidade e o exercício de prazer. Porque há, na natureza política dos homens, outras razões e outros tesões que o levam a participar em lutas de poder nas quais tentam impedir a organização social que gere poderes autoritários patológicos e genocidas.
A única coerência da direita é chupar os ossos dos pobres e jogar as carcaças fora, para engordar suas lindas contas bancárias. E nisso são insuperáveis pais da miséria e da dor de muitos, inclusive do planeta.
À esquerda ainda resta um pingo claudicante de sonho. E em alguns lugares são chupadores de ossos tão ou mais terríveis que a direita.
E onde ficamos nós, os outros que vêem e decidem não usar o poder?
Nós somos os poetas, os loucos, os bêbados e as putas.
Somos sobreviventes e temos muito pouco a perder.
Liberdade para ser um marginal e nunca sentir o gosto dos ossos. A não ser dos nossos.

Eita, Eita.
Vou mergulhando e vendo. Queria tirar a máscara, mas me afogo. Ando lendo, meio desligado, a biografia dos Mutantes, de um cara chamado Calado. Conversinha meio sensacionalmente chata, sobre mães e cascas de ferida da tia Rita Lee. Me irrita aqui (pausa para apontar o saco).
Essa internet é mesmo o bicho. E presses malucos todos que agora tenho acesso, aquele abraço. Terezinha, uhuh!
Só me aporrinha esse blogger, que não descubro jeito de colocar umas fotos.
Mas uma hora dessas me arrenego e parto pra outro host. Melhor seria, se fosse uma hostess, dessas da luz vermelha de Amsterdã. Dã Dã Dã.

Gente linda

Um beijo na caçarola.

Querido diário

Órfão, carente, mulambento que eu andava de ler alguma coisa realmente interessante, desde a morte do nosso Bukowski, chega em minhas mãos sujas, um exemplar do Trilogia Suja de Hava, de um tal de Pedro Juan Gutierrez. Mestre, gênio, vou transcrever alguma coisinha pra vocês sentirem o clima...

Se você tem idéias próprias - mesmo que sejam só umas poucas idéias próprias - tem de compreender que estará sempre encontrando uma série de caras feias, gente que vai fazer questão de lhe dar o contra, de diminuí-lo, de "fazer você entender" que não tem nada a dizer, ou que você deve evitar aquele sujeito porque ele é louco, ou efeminado, ou um verme, um vagabundo, outro porque é um punheteiro ou voyer, outro porque é ladrão, outro, macumbeiro, espírita, maconheiro, outra porque é canalha, indecente, puta, sapatona, mal-educada. Eles reduzem o mundo a umas poucas pessoas híbridas, monótonas, aborrecidas e perfeitas. E assim querem transformar você num excluído e num merda. Jogam você de cabeça na seita particular deles para ignorar e suprimir todos os outros. E lhe dizem:
"A vida é assim, meu senhor, um processo de seleção e descarte. Nós somos donos da verdade. O resto que se foda." E como passam trinta e cinco anos martelando isso no seu cérebro, quando você está isolado se acha o máximo e se empobrece muito porque perde uma coisa bonita na vida, que é desfrutar a diversidade, aceitar que nem todos somos iguais e que, se assim fosse, seria muito chato."

Não é muito bom?
Eu tô achando que a fonte, outrora seca, volta a brotar com a límpida água da literatura "direto no saco". Sem frescura, sem ditadura, sem filtro de modernidade ou rococó burguês. Nós os ratos, os sobreviventes do mundo globalizado, precisamos ler coisas que não sejam chatas, pretensiosas. Nós queremos mesmo é sugar o sangue dos outros. Queremos vida em forma bruta. Deixe-nos em paz, detentores da verdade. A única verdade suportável morreu de inanição numa favela qualquer aqui perto da minha casa.
Mas é isso.
Mais uma ano que se passa.
Mais um ano que se passa.
Alguém devia fazer um estudo do porquê ficam estes humanos soltando fogos nos meus ouvidos o dia inteiro e mais durante a noite, e mais no primeiro dia do ano.
Querem não pensar no que fizeram nos outros dias, atordoando-se e aos outros até o vômito?
Inferno.
Que usem pólvora para explodir de vez a própria cabeça.
Inferno.
...mas em matéria de rótulos nunca nenhum grudou em mim. Marginalizado entre os poetas marginais, contraditório entre os malditos, inclassificável entre os desclassificados, pendente entre os independentes, meu caso é tão à parte que o qualificativo mais adequado seria "incoisável". (Glauco Mattoso na revista do Lobão, a Outra Coisa".
Lentamente vou me metamorfoseando num ser virtual. Lendo umas coisas ali, assitindo uns filminhos acolá, sacando o que é o tal flash (desse eu manjo pouquíssimo). O legal é essa sensação de liberdade que rola. Essa possibilidade de publicar, editar, criar. Mas a fonte, ou seja, eu mesmo, continua sendo o mesmo caldeirão de goiabices que venho acumulando através dos anos. Ou seja, a web, o computador, não geram novas idéias, mas ajudam a organizá-las.
Assim, esta semana, além do site da revista do lobão revistaoutracoisa.com.br , eu visitei um site bem interessante chamado ateus.net e me sinto mais animado a manter este estranho blog sem figurinhas.
Salve lá Caronte, sábio barqueiro que conduz as almas até a outra vida. Qual o preço da semana por passagem de ida e volta ao paraíso do primeiro mundo? Viver sonhando? Gastar e achar que não acaba? Quero voltar porque sei que tudo cansa. Até viver na Europa ou nos Estados Unidos. Como sei, se nunca estive por lá? Ora, alguns de meus antepassados, achacados por:
guerras, pobreza, superpopulação ou mesmo por desterro, vieram dar aqui, nessas paragens subtropicais. E o caminho de volta me seria ruidosamente penoso, visto que já me afeiçoei demais a esta morenice dos mares do sul.
Salve Caronte, que belos olhos tens em teu barco, que levas lentamente rio acima, gente que se despede, tem um doce brilho no olhar. Vão em paz, almas desconhecidas e dêem notícias aos que lá estão, desejosos de estar de novo, envolvidos nos infernos do 3º mundo. O 3º mundo vai explodir. Quem tiver de sapato não sobra. (Do filme O Bandido da Luz Vermelha, BRA/1968, do Rogério Sganzerla)
Vamos por aí, tropeçando em latas, cocôs de cachorro e outras melindrosas lembranças de uma urbanidade desleixada.
"A cidade é o alimento preferido dos cães", lembra o Daniel Pennac, naquele lindo livro, A Fada Carabina.
"Duas pulgas discutindo de quem é o cachorro", num pensamento sobre ecologia e capitalismo explícito.
Nosso projeto "10.216 - o filme", supõe a cena do cão sarnento. Nem descrevo, sob paranóia de roubo de idéias. Esperem pra ver numa sala de cinema perto de suas casas. Tá lindo de quê? Pergunta o Cebolinha... Quem com sua dúvida fere, com dívida será ferido.
E vamos em frente que pra trás fica a cachorreira. Ou a cachorrada?
Pois mais um engraçadíssimo dia de chuva vai terminando.
E nosso Lula virou Mister Da Silva.
Eu também quero ser Mister Da Silva.
Parece nome de show de mágica em boate americana de stripitise.
And now ladies and gentleman, the bunnys night show proudly presents...
From south america
Mister Da Silva.
E olha que puteiro em Brasília chama Centro de Diversões Noturnas e fica no Setor Hoteleiro Sul.

Muito bem. Gostei do resultado. Agora vão ter que me engolir. Sem mastigar.
Prá começar bem, uns textos do velho Buk, que acumulei através dos anos. E tem gente feliz com sua poupança. Poesia. Dinheiro, cigarro do paraguai, tudo é ilusão e mata.



PÁGINAS DE CHARLES BUKOWSKI



- O que você pensa das mulheres ?
- Não sou um pensador. Cada mulher é diferente. Basicamente, elas parecem combinar o que há de melhor e o que há de pior - duas coisas mágicas e terríveis. Fico contente que elas existam de qualquer jeito.

Como saber o que fazer ? Em geral, pensava eu, é melhor esperar, se você tem algum sentimento pela pessoa. Se você a detesta logo de cara, o melhor é já ir trepando logo de cara; senão, era melhor esperar, depois trepar e deixar para detestá-la mais tarde.

Mulheres: gostava das cores das suas roupas, do jeito delas andarem
e da crueldade de certas caras. Vez por outra, via um rosto de beleza quase pura, total e completamente feminina. Elas levavam vantagem sobre a gente: planejavam melhor as coisas, eram mais organizadas. Enquanto os homens tomavam cerveja ou jogavam boliche, elas, as mulheres pensavam na gente, concentradas, estudiosas, decididas: a nos aceitar, a nos descartar, a nos trocar, a nos matar ou simplesmente nos abandonar. No final de contas, pouco importava; sejá lá o que decidissem, agente acabava mesmo na solidão e na loucura.

Eu também gosto de trepar, mas não é minha religião. Trepar tem muita coisa de ridículo e de trágico. As pessoas parecem não saber direito como lidar com a coisa. Por isso transformam o sexo num brinquedo. Um brinquedo que destrói gente.

São poucas as mulheres bonitas que se dispõem a deixar claro que pertencem a alguém. Conheci mulheres o suficiente para saber disso. Eu as aceitava como elas eram e era difícil e raro o meu amor sair da toca. Quando saía, era quase sempre um equívoco. Acontecia que eu me cansava de prender o meu amor e acabava deixando ele sair; ele precisava ir para algum lugar. Daí, como de costume , começavam as encrencas.

Eu nunca forço a minha vulgaridade, deixo ela buscar o seu próprio meio de expressão.

Esse é o problema com a bebida, pensava enquanto enchia o copo. Se acontece alguma coisa ruim, você bebe para esquecer; se acontece alguma coisa boa, você bebe para comemorar; se não acontece nada, você bebe para que aconteça alguma coisa.

Daí veio aquela loira, de uns 19 anos, com óculos sem aro e um sorriso. O sorriso nunca se desfazia. “Quero trepar com você”, disse ela, “Sua cara...”
- Que tem a minha cara?
- É espetacular. Quero destruir a sua cara com a minha buceta.
- Pode acontecer o contrário.
- Não aposte nisso.
- Você tem razão. Bucetas são indestrutíveis.
Empolgado. Distraído. Começo a publicar na rede. Sob a mão consoladora de Bukowski e Pessoa, mesmo que algum outro maluco leia, serve o exercício. Malefícios provenientes da convivência virtual, devem ser depositadas na conta das maledicências espúreas.
No mais, danem-se todos os hipócritas. Tenho um vaso cheio e vou derramá-lo. Mulheres de pouca fé e pouca idade, afastem-se enquanto é tempo. Está declarada a era da pestilência. Cães sarnentos, aproximem-se para o festim da decadência.
No mais, sonrisal e quadrinhos, prá segurar a onda da ressaca e do mau humor.
Descobri que acredito em deus, mas estou sinceramente puto da cara com ele.
Portanto - acordem pilantras de plantão - como diria Nietszche, nunca acreditaria num deus que não soubesse dançar.
Acordem para ver todas as suas verdades congeladas, em conserva ou enlatadas, apodrecerem rapidamente.
Ai, ai, tenham todos um dia glorioso.